19 de dezembro de 2006

DIALOGUS sanguis II




"nada há de essencial no que fazemos, apesar de todas as aparências."

Aqui onde ninguém passa, onde ninguém chegava.


Olhos como noites de inverno, ela chegou pela primeira vez ainda os dias morriam tarde , as noites quentes...longos e escuros cabelos desenhavam-lhe negras margens num rosto branco.

Foi chegando á noite, noite...


Os dias já morrem cedo...


hoje, sentou-se a meu lado. Tem lábios vermelhos como sangue derramado na neve, uma canoa de carne viva no rio branco.

- Disseram-me que a lua é sempre a mesma que as noites são todas iguais.
As pessoas falam de tudo...sobretudo sobre elas próprias, como se tudo não fosse efémero...
esquecem o quanto somos tão imensamente frágeis, que

o dia da nossa morte é apenas mais um dia da nossa vida,

e no fim não há sentido em existirmos.

A noite ia morrendo...


Ela com seus olhos negros e longos cabelos escuros,
fechei meus braços com o seu corpo entre eles:
-Eu não trago luz. Quem me conheceu fui trevas,
carrego dor e tormento.


Abro a boca ao teu sangue.
Abrirás tu a tua ao meu?