31 de dezembro de 2006

Finittimus Dolorosum

"(...)Todo eu me darei porque entre nós qualquer distância tem o seu caminho andado e destruido..."
No lodo de sangue,
o teu corpo.
Os olhos perdidos procuram os meus,
na pele branca traço livre, vermelho
ferida aberta na carne maltratada.

Bebo do lodo ainda quente
o sabor,
que na maldição
muitas vezes apaziguou o meu desassossego.

Fecho a boca, e na carne
rasgo a veia fria e disposta.
Verto o meu sangue em teus lábios
ainda vermelhos, abertos,
lágrimas minhas na tua boca,
lingua de sangue,
na despedida
o teu derradeiro expirar
prova-me pela última vez.

28 de dezembro de 2006

Odde Noctuum


...a beleza que as trevas trazem.

Tragam-ma em manto de belas rosas mortas,
com seus espinhos negros amordaçarei o sol,
matarei o nascer dos dias ,
e neste lugubre lugar onde ainda existe segredo
beberei da lua de todas as noites.

Ammorttus

"I don´t need salvation, I don´t need consolation"

Vi-te entre sombras de luz tépida,
numa qualquer noite fria de Dezembro.
Profetas da morte, meus olhos logo tombaram.
Guardei os teus, negros, e segui-os,
meu destino vai com eles.
Quero deitar-te as mãos e,
desfazer-te, rasgar-te,
matar-me de ti.

27 de dezembro de 2006

Adagium Morbittus




"(...)tudo escuro!
E sobre cada retorcida forma, a cortina, uma fúnebre mortalha"

Deixai-me
caminhar,
onde o vento sopra frio dos nove rumos,
onde o oculto se encontra em cada côdea de chão,
onde tombam as creaturas,

debaixo de uma lua sanguínea.

Deixai-me,

entregue á vontade do corvo.

21 de dezembro de 2006

Mortuum Romanticus Escuritat




XI
"deixa nus os ombros e os seios livres ao silencio da minha boca"

Queria ter asas, de corvo para me disfarçar na noite, ir buscar-te e trazer-te para o escuro onde incenso untaria a penumbra.
Beber o teu sangue, devorar a carne.

Dar-te o meu a beber , devorares a minha,
sem a aflição do pecado que só pune os crentes, eu creio no demónio que quer ser saciado.
Enlameados, arderá a noite, arderá o incenso onde morreremos.

Restarão as nossas cinzas quando chegar a água do dia,
até uma outra noite, que queiramos ter asas para morrer.

XII
"Ecce deus fortior me, qui veniens dominatibur mihi"

Lava-me as feridas e sela-as com fogo.
Ampara-me a carne com o mesmo ferro que a rasgou.
Era longo o meu tormento, quando moribundo tuas mãos me encontraram.
Deviam ter-me entregue á morte,
maior é o tormento desde que te vi.
Saras as feridas que teus olhos vêem
mas o meu coração coagulou.

19 de dezembro de 2006

DIALOGUS sanguis II




"nada há de essencial no que fazemos, apesar de todas as aparências."

Aqui onde ninguém passa, onde ninguém chegava.


Olhos como noites de inverno, ela chegou pela primeira vez ainda os dias morriam tarde , as noites quentes...longos e escuros cabelos desenhavam-lhe negras margens num rosto branco.

Foi chegando á noite, noite...


Os dias já morrem cedo...


hoje, sentou-se a meu lado. Tem lábios vermelhos como sangue derramado na neve, uma canoa de carne viva no rio branco.

- Disseram-me que a lua é sempre a mesma que as noites são todas iguais.
As pessoas falam de tudo...sobretudo sobre elas próprias, como se tudo não fosse efémero...
esquecem o quanto somos tão imensamente frágeis, que

o dia da nossa morte é apenas mais um dia da nossa vida,

e no fim não há sentido em existirmos.

A noite ia morrendo...


Ela com seus olhos negros e longos cabelos escuros,
fechei meus braços com o seu corpo entre eles:
-Eu não trago luz. Quem me conheceu fui trevas,
carrego dor e tormento.


Abro a boca ao teu sangue.
Abrirás tu a tua ao meu?

11 de dezembro de 2006

CultusTenebrosus I




...this is beauty darkness brings.
Armagedda-ond spiritism
Craft-fuck the universe
Darkthrone-panzerfaust

Deathspell Omega-inquisitors of satan
Graven-perished and forgotten

Horna-Kohti Yhdeksän Nousua
Judas Iscariot-dethroned, conquered and forgotten
My Dying Bride- a line of deathless kings

Pest-black thorns

DIALOGUS sanguis I


"here in the throat(...)you need him to take you from this place, to heal you from your wounds"


Aproximei-me o quanto quis, queria sentir-lhe a vida correr.
no sempre presente oculto, mórbido prazer de conhecer alguém, os tormentos.
Escutei os seus.
Ela acordou, olhou para mim.
Não escondendo um tépido receio, perguntou se eu era a resposta ou se a trazia comigo.
Tão proximo que a minha boca sentia o salgado murmurei grave:
- Esta noite és tu o fim da minha. Não existe alma mas se acreditas no contrário, não temas pela tua. É o sangue que eu quero de ti.